Pode-se também considerar que ter fé é nutrir um
sentimento de afeição pelo que acredita, confia e aposta, pois
o sentido da fé é sempre positivo, ou seja, a pessoa de certa
forma sustenta positivamente seu pensamento no objeto
afeiçoado de sua fé.
A fé se manifesta de várias maneiras e pode estar
vinculada a questões emocionais, a motivos nobres ou motivos
estritamente pessoais. Pode estar direcionada a alguma razão
específica ou mesmo existir sem razão definida. Também não
carece absolutamente de qualquer tipo de evidência física
racional.
É possível nutrir um sentimento de fé em relação a um
pessoa, um objeto inanimado, uma ideologia, um pensamento
filosófico, um sistema qualquer, um conjunto de regras, uma
crença popular, uma base de propostas ou dogmas de uma
determinada religião.
A fé não é baseada em evidências físicas
reconhecidas pela comunidade científica, por exemplo, o que
faz com que muitos a rejeitem como sendo algo tolo e
irracional, pois raramente existem provas concretas a favor de
determinada fé. Isso, impossibilita uma troca de idéias
baseadas no convencimento, quando por exemplo, uma pessoa que
tenha determinada fé, tenta persuadir outra que não tenha essa
mesma fé.
Aliás, essa é a maior causa dos conflitos dessa natureza,
pois sendo a fé algo quase que emocional, pessoal e além
disso, raramente ou nunca, passível de provas concretas,
físicas, materiais, uma discussão nessa área é quase sempre um
solo minado. A fé é geralmente associada a experiências
pessoais e pode ser compartilhada com outras pessoas apenas
através de relatos e não de provas concretas. Por isso, a
imensa dificuldade nesse sentido.
Fé é geralmente associada então, a algum contexto
religioso, dogmático, de crença pré-estabelecida, onde alguém
crê no que é dito, por afinidade emocional e de certa forma
racional, pois ambos pensam da mesma forma, seguem a mesma
linha de raciocínio, se baseiam nos mesmos princípios.
Ninguém diz, por exemplo, ter fé que a natureza, os animais
e os homens existam. Mas diz ter fé de que Deus as tenha
criado. Nesse sentido, a natureza, os animais e os homens são
passíveis de provas materiais de suas existências, já a crença
em Deus, não.
Crer, ter a experiência de algo emocionalmente, não pode
ser provado a quem exija provas materiais, pois não pertence
ao terreno da matéria e das leis físicas, mas sim, ao terreno
intuitivo e emocional.
Já a confiança, não é necessariamente apenas uma questão de
fé.
Confiar pode ser algo que venha através da experiência, da
observação concreta e crítica. Confiança é uma coisa que se
conquista, pois observando um evento que se repete sempre de
determinada maneira, confiamos por observações anteriores, que
provavelmente essa é a forma natural de comportamento desse
evento. Seja esse evento algo positivo ou negativo.
Já a fé, sempre estará ligada a algum tipo de esperança e
crença positiva, como pura e simples aceitação.
Quem tem fé, confia. Mas quem confia não se baseia
necessariamente na fé, pois a confiança se baseia
principalmente na observação antes da aceitação.
E você? Confia em sua fé ou tem fé no que confia?