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TEXTOS DE VERA CALVET PARA AUTO-AJUDA E AUTOCONHECIMENTO

 

 

  UMA VIDA PERFEITA

 

      ERA UMA VEZ....UMA CRIANÇA FELIZ

    Quando pequena achava que havia nascido em uma família especial, que morava em um lugar especial, que tinha amigos e irmãos especiais e estudava em uma escola muito especial!
      Essa criança feliz adorava sua professora de matemática, embora detestasse a matéria, mas por gostar tanto da tia Helena, como chamavam a professora, ela se esforçava para ter um pouco de boa vontade com a matéria.
 

   
    Para ela a escola era um lugar mágico de brincadeiras, jogos e merenda, pois adorava a hora do lanche quando os coleguinhas trocavam entre si o que trouxeram. Sua mãe colocava de vez em quando uma banana na merendeira, dizendo que comer frutas fazia muito bem à saúde. Ela até gostava de banana, mas a fruta impregnava o sanduíche e o suco com seu odor, quando fechada muitas horas no calor da merendeira, e tudo ficava com cheiro de banana.
    Mas a criança feliz não reclamava com a mãe, pois simplesmente esquecia-se disso! Só lembrava no dia em que abria a merendeira e lá vinha o odor da banana! Ela achava graça em fazer graça para os seus colegas dizendo: - Quem quer suco de maracujá e sanduíche de queijo com cheiro de banana? – E todos caiam na gargalhada.
 
    A criança cresceu e de alguma forma foi vendo o mundo diferente. Já não achava sua família, amigos e escola tão especiais assim. Seus pais começaram a ficar cheios de defeitos, incompreensivos e cobrando muito. Seus irmãos uns chatos, sua escola um tédio. O lugar que morava perdeu o colorido e passou a ser um lugar sem nada para fazer. Sua aparência também não lhe parecia satisfatória, seu nariz lhe parecia muito grande, sua pele com muitas espinhas, seu corpo sem tantos atrativos como gostaria.
 
    De vez em quando se lembrava da banana na merendeira, mas agora pensava que sua mãe não se tocava mesmo, que era sem noção e que substituiu a estória da banana pela do casaco, que sempre mandava que levasse na mochila. Isso, quando a mãe não colocava o bendito casaco direto na mochila! - Um saco a paranóia da minha mãe com o casaco, comida, as chaves e o horário! – pensava e dizia para os colegas que tinham o mesmo problema – Mãe é tudo igual! Um saco! -. Fora o pai que vivia perguntando o que gostaria de ser, de estudar para sua vida profissional! – Sei lá, oras! Qualquer coisa! Mais tarde eu vejo! – pensava. E tinha que ouvir longos discursos do pai a respeito do que deveria fazer de sua vida.
 
    Sua vida e sua família não lhe pareciam mais tão perfeitos, mas como não sabia ao certo qual era a formula exata de uma família perfeita, ficava assim.
     E sem que percebesse, a criança feliz virou um adolescente nem tão feliz assim.
 
    O tempo trouxe a escolha profissional inevitável, mas não tão convicta. – Foi o que apareceu e deu pra fazer – dizia.
    E o tempo trouxe também os relacionamentos, ora bons, ora ruins, mas nunca como gostaria que fossem. Queria-os perfeitos! Mas como não sabia ao certo qual era a formula exata de um relacionamento perfeito, ficava assim.
    E sendo assim, quando achou que gostou de alguém de uma forma diferente, casou-se, pois todo mundo faz isso numa certa idade, pensava.
    E o tempo trouxe filhos que eram uma bênção, mas também uma fonte de preocupações constantes. O dinheiro era sempre escasso para as necessidades, a casa sempre precisava de reparos, as crianças de roupas, de escola e planos de saúde. Seu trabalho era cansativo e entediante. Mas dava o sustento, então agüentava.
    Não podia dizer que tinha uma vida ruim, mas perfeita como gostaria, não achava que tivesse. Mas como não sabia ao certo qual era a formula exata de uma vida perfeita, ficava assim.
    E continuou sua vida de uma pessoa adulta nem tão feliz.
 
    Um dia percebeu que seu cansaço aumentava, sua coluna doía, seus cabelos embranqueciam e que seus filhos não vinham mais ficar ao seu lado com a freqüência que gostaria. Na TV não passavam mais programas bons, o cachorro do vizinho latia demais, alguém sempre ocupava sua vaga de garagem ou espremia seu carro e as pessoas não tinham mais respeito por nada nem ninguém.
    O mundo não era perfeito como gostaria, mas como não sabia ao certo qual era a formula exata de um mundo perfeito, ficava assim.
    E continuou sua vida como uma pessoa de meia idade, não tão feliz.
 
    Mas o tempo trouxe a reflexão de que já tinha vivido pelo menos dois terços de sua vida e que era hora de reavaliá-la, embora não pensasse que teria forças para mudar muita coisa.
    Pensou no que teria sido uma vida perfeita, mas como não sabia ao certo qual seria a formula exata de uma vida perfeita, viu que sua vida não havia sido das piores até ali.
    E assim, pensando na vida, lembrou de uma coisa que lhe trouxe um sorriso: A banana na merendeira.
 
    E o odor da banana quente, fechada na merendeira impregnou sua memória e trouxe as risadas do suco de maracujá e do sanduíche com gosto de banana, de seus coleguinhas rindo da situação e o quanto gostava de deixá-la mais engraçada ainda. Até da tia Helena se lembrou. Lembrou das cores de sua infância, dos risos, de como achava sua família especial, e começou a trazer essa sensação ao longo de suas memórias.
 
    Fazendo assim, passou a entender o cuidado de sua mãe sempre preocupada com seu bem estar, se havia comido direito, se estava com o casaco e com as chaves à mão, e a preocupação com sua segurança quando saía à noite. Viu que essa era sua forma de dizer que amava e cuidava.
 
    Lembrou do pai lhe perguntando o que gostaria de ser profissionalmente e que na época isso lhe parecia ser uma grande pressão. Mas nesse momento enxergou que era apenas preocupação e cuidados para que não tivesse uma vida profissional frustrante como ele, seu pai, havia tido. E em vez de cobrança, enxergou que essa era a forma do pai dizer que amava e cuidava.
    Lembrou de seu casamento e o quanto foram sempre tão companheiros nos bons e maus momentos e que as discussões fizeram parte do processo de amadurecimento de ambos. Viu que algumas criticas poderiam ter sido evitadas, mas que foram uma forma de dizer que se importavam um com o outro e que queriam ficar juntos.
    Lembrou de seus filhos e suas risadas e rusguinhas infantis e dos momentos felizes que agora sua memória trazia em sua real proporção.
    Sorriu ao lembrar-se das dificuldades financeiras que os fizeram pintar a sala com restos de tintas e de ter ficado tudo manchado por meses até que pudessem repintá-la.
    Lembrou do antigo prédio com o vizinho sem noção que espremia seu carro na garagem e ficou feliz consigo por ter resolvido aquela situação sem brigar, apenas conversando com ele e pedindo que prestasse mais atenção na marca das vagas. – Coitado! –disse alto – Ele não fazia por mal, mas era mesmo ruim de roda!- e soltou uma sonora gargalhada.

    Olhou para a janela e mirando um céu azul e limpo, suspirou e disse: - Nossa! Não é que minha vida é perfeita, seja lá o que isso possa significar!?
    E ficou ali, com a memória do odor da merenda impregnada de banana!
    E como desistiu de vez de qualquer formula de perfeição, ficou assim, feliz como era!


 
     Esse assunto é amplamente discutido nos livros de autoconhecimento, DVDS, na e Meditação Ráshuah que você encontra na página de Livros e CDs
     Faça isso por si! Você merece e vai conseguir mudar e ficar em paz!
 
Fique em paz e em harmonia, na força e proteção de seu verdadeiro eu!
 
Com muito carinho,
 
Vera Calvet
 
 
 

 

 

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